Um novo Ensino Médio para o Brasil

Entre as mudanças estão a flexibilidade e a divisão nas modalidades acadêmica e formação técnica

Uma mudança no Ensino Médio das escolas de todo o país promete transformar os currículos e a rotina das redes pública e privada. A lei do novo Ensino Médio vai mexer na estrutura do atual sistema, propondo uma flexibilização da grade curricular, oferecendo um cardápio com diferentes áreas de conhecimento e cursos de formação técnica, que ficarão à dispoção para escolha do aluno.

A nova estrutura terá disciplinas que serão comuns e obrigatórias a todas as escolas, como português, matemática e inglês, mas também vai oferecer quatro áreas de conhecimento para que os alunos possam aprofundar os estudos no que têm mais habilidade. As áreas eletivas são divididas em I – linguagens e suas tecnologias; II - matemática e suas tecnologias; III – ciências da natureza e suas tecnologias; IV – ciências humanas e sociais aplicadas; V – formação técnica e profissional. Estudos e práticas de filosofia, sociologia, artes e educação física também serão obrigatórios, mas a divisão ficará a critério das instituições de ensino. Cada estado brasileiro e o Distrito Federal organizarão seus currículos considerando a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), definindo assim as competências e conhecimentos essenciais que deverão ser oferecidos a todos os estudantes na parte comum.

Com a nova estrutura, o jovem vai escolher sua área de interesse, de acordo com o caminho que deseja seguir. A arquitetura do novo Ensino Médio dará mais liberdade às redes de ensino e escolas sobre o que e como ensinar para desenvolver as competências básicas requeridas pela BNCC e garantir a formação geral por meio dos conhecimentos comuns deste documento.

Cenário atual é desfavorável A intenção da proposta é melhorar a qualidade da educação no Brasil e deixar a escola mais atraente e conectada com o mundo contemporâneo. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do Ensino Médio está estagnado em 3,7 desde 2011. Ainda de acordo com a pasta, os jovens que terminam os estudos sabem menos de português e matemática do que há 20 anos.

Dados do MEC também mostram que a frequência em escolas do Ensino Médio não é ascendente. A taxa bruta de matrícula está estagnada em 82%. O número mostra um desestímulo do jovem à escola, relacionado à falta de perspectiva apresentada até agora. Apenas 18% dos jovens de 18 a 24 anos ingressam no ensino superior, sendo que a maioria não ingressa na universidade, seguindo para o mercado de trabalho sem qualificação profissional. Aqueles que não estudam e nem trabalham também têm números alarmantes: 1,7 milhão de jovens entre 15 e 24 anos compõem o grupo.

A lei que propôs mudanças no Ensino Médio das redes públicas e particulares vem ao encontro de reivindicações sociais evidenciadas em diferentes estudos e de novas demandas do mercado de trabalho. O novo modelo, sancionado pelo presidente Michel Temer em fevereiro de 2017, segue tendências de reformulação que acontecem no mundo todo.

Segundo declaração do senador Pedro Chaves (PSC-MS), divulgada pela Agência Senado, o modelo a ser adotado no novo Ensino Médio é aplicado com sucesso por vários países há mais de 40 anos. Chaves, que foi relator da medida provisória sobre a reforma que se transformou na Lei 13.415/2017, disse que no Ensino Médio da Finlândia, considerado modelo para o mundo, o aluno pode ir para o sistema vocacionado (ensino profissional, que prepara para uma carreira) ou para o sistema acadêmico, voltado para a universidade. Na Coreia do Sul, outro exemplo citado por Pedro Chaves, o estudante pode optar por frequentar cursos com diferentes ênfases. Os Estados Unidos, segundo o senador, mantêm apenas três disciplinas obrigatórias: inglês, matemática e história. As demais, acrescentou, são de livre escolha do aluno.