Prática de Educação Física no Ensino Médio é fundamental para a saúde

Especialistas dizem que atividade física nas escolas ajuda a combater obesidade e previne doenças degenerativas

Queridinha de boa parte dos estudantes, os estudos e práticas da Educação Física serão obrigatórios no novo Ensino Médio. A manutenção das atividades físicas na grade curricular agradou os alunos – que veem nas aulas um momento de diversão e liberdade – e também os profissionais da área esportiva. Além de promover integração entre os estudantes e trabalhar valores como disciplina e trabalho em equipe, garantem os profissionais da área, a prática ajuda crianças e adolescentes a praticarem atividades físicas pelo menos uma vez por semana.

– Vejo uma influência muito grande das aulas de Educação Física sobre um futuro fisicamente ativo do jovem. Se a experiência no Ensino Médio for de boa qualidade, ele vai estar inclinado a ter um futuro fisicamente ativo na idade adulta. E aí, virão todos os benefícios da prevenção de doenças crônicas e degenerativas – explica José Marinho, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade do Grande Rio (Unigranrio) e doutor em Ciências da Saúde pela Universidade do Rio de Janeiro (UniRio).

Além de integrar o corpo docente de universidades, há 34 anos Marinho dá aulas de Educação Física para os ensinos Fundamental e Médio. De acordo com ele, a permanência da disciplina pode abrir caminhos para alunos que não podem pagar por uma atividade física extracurricular.

– Dou aula em escolas públicas. A maioria dos meus alunos estudam de manhã, trabalham à tarde e fazem cursinho à noite. Que horas esse jovem vai praticar uma atividade física? Nós, professores, temos que tornar a aula relevante e agradável, para que ele se sinta impelido a procurar atividades fora da escola, como a corrida de rua. Se você instrui ele a controlar seu treino, fazer aquecimento, medir o batimento cardíaco, ele percebe que pode fazer isso sozinho – analisa ele.

Formada em Educação Física e Mestre em Biomedicina pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio), a personal trainer e pesquisadora Lorena Rosa tem estudos voltados para a obesidade. Segundo dados de 2017 da Organização Mundial de Saúde (OMS), 1,9 bilhão de pessoas no mundo apresenta sobrepeso. Desse total, 600 milhões são obesos. A projeção é de que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. De acordo com a World Health Organization (WHO), o número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões.

Os números referentes ao Brasil também são alarmantes. Segundo a Associação Brasileira para Estudos da Obesidade (ABESO), mais de 50% da população está acima do peso. Entre crianças, a taxa é de 15%. Por isso, Lorena vê as aulas de Educação Física como aliadas fundamentais combate à obesidade no país:

– Os dados são absurdos. A prática da Educação Física tem que ser mantida e, se possível, aumentada. Do contrário, você vai tirar de milhares de jovens a oportunidade de praticarem pelo menos um pouco de atividade física.

Lorena também enxerga as aulas de Educação Física como ferramenta de conscientização para as famílias. O estímulo de conhecer esportes, diferentes modalidades e desenvolver as habilidades de cada um passa também por cuidados com a saúde que vão além dos exercícios.

– É a oportunidade das escolas despertarem nos alunos mudanças de hábito e comportamento, principalmente, em relação à alimentação – pontua ela.