Pais apostam em diálogo aberto na hora dos filhos escolherem suas áreas de conhecimento

Novo Ensino Médio coloca estudantes como protagonistas do próprio projeto de vida

Escolher uma faculdade ou a profissão que se deseja seguir é uma decisão difícil para boa parte dos jovens. Com a implementação do Novo Ensino Médio, estudantes terão a possibilidade de optar pela área de conhecimento nesta etapa final da educação básica.

A reforma propõe aos alunos que pretendem seguir o currículo acadêmico, a escolha entre quatro vertentes: linguagens e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas. Seja qual for a opção, todos os estudantes de Ensino Médio terão como disciplinas obrigatórias Português, Matemática, Inglês e estudos e práticas de Sociologia, Filosofia, Artes e Educação Física.

O momento é delicado, repleto de dúvidas e inseguranças típicas da adolescência. Atentos ao novo momento de seus filhos, pais falam sobre como podem ajudar os filhos a tomarem a decisão certa.

O analista de sistemas Altamiro Pedrosa é pai da Maria Clara, de 13 anos, que cursa o 7º ano do ensino fundamental. Desde pequena ela pensa na profissão que deseja para seu futuro e, frequentemente, traz dúvidas sobre as diversas áreas. O pai tenta, dentro do possível, passar algumas informações sobre cada uma delas. Já quis ser arqueóloga, veterinária e ultimamente tem pensado em arquitetura.

– A minha parte é dialogar para tirar essas dúvidas. Os pais precisam mostrar que qualquer profissão tem o lado ruim e o lado bom, além de dar suporte emocional e financeiro. Mas a escolha tem que vir deles e os pais não podem ter preconceito ao discutir esta questão – opina.

Altamiro lembra que sua escolha profissional foi feita a partir de um contato prático com a área de tecnologia, após o Ensino Médio. Ele defende que os jovens precisam conhecer diversas possibilidades antes de tomar uma decisão, inclusive disciplinas como música, canto e artes plásticas. Na opinião dele, a mudança de comportamento social ocorrida na passagem da infância para a adolescência facilita o processo de escolha para os estudantes.

– Antigamente, os pais focavam muito nas áreas tradicionais para os filhos, como direito, engenharia, medicina. Esse pensamento mudou e, além disso, o leque de possibilidades é muito maior. Sem falar que hoje eles têm acesso a muito mais informações pela internet, redes sociais – conclui.

Nathália Valério, mãe de Wendel de Almeida, 14 anos, diz que seu filho tem todo apoio em suas escolhas, mas orienta que ele não deve fazer isso no chute.

– Por isso, normalmente pesquisamos juntos as propostas de cada área, como pode trabalhar, se aperfeiçoar. Quero que ele conheça sobre o mercado de trabalho. Ainda falta um tempo para ele fazer uma escolha definitiva, mas Wendel já demonstra algumas preferências.

Aos 31 anos, Nathalia lembra de sua própria experiência, e conta que ela mesma teve dificuldade para encontrar o seu caminho profissional. Terminou o Ensino Médio na idade regulamentar, ficou um ano sem estudar, optou mais tarde por Letras mas desistiu do curso na metade. Depois disso, fez um curso profissionalizante de fotografia e resolveu fazer faculdade de jornalismo. Abandonou o curso no último período. Recentemente, retomou o contato com outras duas paixões: a pintura e o cinema.

– É muito importante a família não colocar suas próprias expectativas nos filhos. Não é a opinião da família que vale como a melhor opção. Eu sempre fui muito livre para escolher o meu caminho e pretendo que Wendel também seja. O meu exemplo, com várias tentativas de acerto, serve também como ensinamento para a vida dele. De todo modo, penso que, se no meu período de estudo, o Ensino Médio também fosse dividido por áreas, talvez eu pudesse ter me descoberto mais cedo – conclui.