Jovens prontos para ingressar no mercado de trabalho

Novo Ensino Médio propõe curso técnico como caminho para formação dos alunos

Na intenção de aumentar a inserção do jovem no mercado de trabalho e tornar a sala de aula uma experiência motivadora, o Ministério da Educação (MEC) elaborou uma série de mudanças que desenham uma nova configuração para o Ensino Médio no Brasil. A reforma propõe que o curso técnico deixe de ser complementar e passe a ser um caminho de formação.

A lei permite que o estudante termine o Ensino Médio com a qualificação necessária para ingressar no mercado de trabalho, além de adquirir o certificado de conclusão do Ensino Médio que permite a entrada no ensino superior. Hoje, o jovem que procura um curso técnico de nível médio precisa cursar 2.400 horas do ensino médio regular e mais 1.200 horas do técnico. Com a reforma, o aluno poderá fazer o curso técnico dentro das 3.000 horas da carga horária do Ensino Médio, finalizando esta etapa com o certificado do curso técnico e do ensino médio.

O mercado de trabalho contemporâneo sofre impacto direto e constante das rápidas mudanças tecnológicas e também da alta rotatividade das demandas de um mundo que está em constante transformação. O Brasil, no entanto, não supre a necessidade de formar bons profissionais capazes de ocupar as funções que vão surgindo a todo instante.

Sexta economia no mundo, o Brasil está entre os países com mais baixos índices de oferta de cursos de formação técnica. Apenas 8,4% dos jovens em idade de cursar o Ensino Médio fazem cursos técnicos. Em países da Europa e do Oriente, esse índice bate os 40%. Na França, o número de estudantes que frequentam cursos técnicos é de 42,7%, na Itália, 56,1%, enquanto na Alemanha, chega a 49,2%. Na China, a taxa é de 44%.

A falta de investimentos na área leva o jovem brasileiro a terminar o Ensino Médio com qualificação, remuneração e empregabilidade baixas. Do lado dos empregadores, 91% das empresas declaram que possuem dificuldade de contratar profissionais qualificados e 80% consideram baixa ou média a oferta de mão de obra qualificada. De acordo com uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, metade das empresas declarou que necessita treinar de 40% a 80% dos novos contratos. Segundo a Fundação Itaú Social, o estudante que conclui o Ensino Médio com formação profissionalizante recebe 12% a mais que um estudante do Ensino Médio regular. Outra pesquisa, feita pelo Banco Mundial, mostra que alunos que concluem o ensino técnico possuem de 3% a 5% mais chance de empregabilidade do que um aluno do Ensino Médio regular.