Baixa qualidade alerta para urgência de novo Ensino Médio

Dados alarmantes fizeram Ministério da Educação propor mudanças que combinam formação acadêmica com a profissional

A lei do novo Ensino Médio, sancionada pelo presidente Michel Temer em fevereiro de 2017, jogou luz na educação brasileira e acendeu um intenso debate sobre o tema. A efervescência da discussão mostrou a urgência da transformação na área. A proposta de modelo do Governo Federal pretende ajustar o Ensino Médio dialoga muito mais com a realidade do estudante. Estados e instituições de ensino deverão oferecer uma grade curricular dividida por áreas de conhecimento e uma vertente de curso técnico profissionalizante. O ministério da Educação (MEC) entende as mudanças como essenciais e urgentes para melhorar a qualidade desta etapa final da educação básica.

O cenário da educação no Brasil é alarmante. Segundo o MEC, os jovens sabem menos de português e matemática hoje do que há 20 anos. A última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) aponta que o rendimento do ensino médio está estagnado em 3,7 desde 2001. Dados também indicam que o modelo aplicado em sala de aula é incapaz de atrair os jovens para a escola. Segundo o MEC, a taxa bruta de matrícula está estagnada em 82%.

Estudantes que estão na idade de frequentar o ensino médio esbarram na falta de perspectiva. Apenas 18% dos jovens entre 18 e 24 anos ingressam no ensino superior. Aqueles alunos que ficam de fora das universidades vão para o mercado de trabalho sem qualificação e acabam desempenhando atividades de baixa remuneração. A taxa daqueles que deixam o ensino médio pela metade também é alta. Cerca de 1,7 milhão de jovens de 15 a 24 anos ficam pelo meio do caminho, integrando o grupo que não estuda e nem trabalha. A lei do novo ensino médio promete mudar essa configuração, tornando a sala de aula mais atraente e dando liberdade e poder de escolha aos jovens.

As mudanças Os estudantes deverão cumprir um currículo comum, sendo obrigatórias as disciplinas de português, matemática e inglês. Os estudos de filosofia, sociologia educação física e arte também são exigidos. A distribuição desse conteúdo ficará a cargo de cada instituição. O restante da carga horária será composto por aulas das áreas de conhecimento escolhidas de acordo com a preferência de cada um. São quatro grupos: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. O aluno que quiser iniciar sua capacitação para o mercado de trabalho poderá optar pelo curso técnico e ainda receber o diploma do ensino médio que garante a entrada no ensino superior.